01 março 2016

Você diz que eu sou subversiva.



Ontem estava deitada na minha cama com um ócio maior do mundo. Muito ressacada para fazer minha monografia e qualquer outra coisa que exigisse um pouco mais de comprometimento.
Comecei a lembrar de coisas, momentos, historias.
Você diz que eu penso muito, que eu lembro de tudo, até mesmo do que eu não vivi.
Será isso possível (ponto de interrogação)
Como eu posso lembrar de tudo se eu esqueço até mesmo onde fica o botão de interrogação?
Fiquei preocupada com isso. Lembrar de historias - historias, não nomes - que aconteceram comigo aos 2-4 anos de idade e não lembrar onde fica o maldito botão de interrogação. Tive que forçar meus dedos a irem no automático até lembrar onde ele fica no teclado.
E isso não se resume apenas ao teclado. Numa conversa normal eu começo a esquecer as palavras. E isso é a coisa mais estranha que pode acontecer.
Como alguém esquece o que falar?
Você diz que eu armazeno muitas informações na cabeça, penso demais. Acabo perdendo as pequenas coisas.
E por que mesmo que somos obrigados a lembrar das coisas insignificantes?
Você diz que eu sou subversiva.


Eu conheço essa palavra, mas no momento seu significado me escapa da memoria.
Você diz que é aquela pessoa que gosta de quebrar as regras.
Na sua boca aquilo soa tão grosseiro, tão do mal. Como se realmente fosse algo tão ruim quebrar as regras. Mas, isso não é verdade. Eu não quebro as regras,só não gosto de algumas delas.
 Não gosto da regra de ter que gastar rios de dinheiro em uma festa de casamento e só conseguir realmente aproveita-la quando você enche a cara e passa vergonha de tão bêbada que você vai estar.Pra mim, eu, você, uma praia, um por-do-sol, um pedido de casamento e o céu como testemunha já são o suficiente.
Não gosto da regra de ter que fazer uma grande festa de formatura, com aquelas besteirols toda de valsa, dancinha pagadora de mico e aquela alegria contagiante de quem saiu de universitário para desempregado (parto do mesmo principio do casamento). Para mim, a colação de grau, meu diploma e meu anel são mais que suficientes.
Não gosto da regra de ter que mobiliar todo um apartamento para morarmos juntos. Por que tu não pega seus trapinhos, eu pego os meus, a gente se junta e passa os dias dormindo em um colchão inflável, um frigobar e um retroprojetor servindo como televisão. Nos dois, pelados, bebendo vinho em taças bonitas enquanto você prepara um macarrão. Eu e você dançando pela sala  (que alias, iria ser a unica parte do apê mobiliado).

mas, você diz que eu sou subversiva, que não sigo regras.

você diz também que eu penso rápido demais, e que não concluo meus pensamentos.
Que de desmemoriada eu pulo pra casamento.
Cadê a porra da organizadora de pensamentos? Minha cabeça ta lotada.

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