15 setembro 2014

Interligados, conectados e notificados


Não sei se vocês sabem, mas eu de vez em quando entro em processo de estranhamento com algumas coisas do cotidiano. Seja a grafia de uma palavra, uma situação que era comum, ou o nome da sua própria irmã (desculpa por aquela vez que eu fiquei repetindo “Ca-Mi-La?” sem parar e rindo, quando a gente era criança, brother, foi só um estranhamento passageiro). Pois bem, desta vez eu resolvi estranhar aquelas notificações que aparecem no seu celular a todo momento e se torna algo natural você dar uma olhada rápida na tela (e uma olhada demorada quando tem algo).

Foi então que eu percebi como tudo agora  se tornou emergencial. Nada pode esperar, as notificações precisam ser vistas no instante que acontecem.
Você para um almoço, uma conversa, interrompe um raciocínio, ocupa o lugar de outros afazeres para ver “rapidinho” o que fulano de tal postou/falou/fez chekin/mandou um whatzapp. E o mais engraçado é que você para tudo que esta fazendo para ver a notificação desse fulano de tal, mas também interrompe esse mesmo “fulano de tal”, pessoalmente, para ver a notificação de outro beltrano. 

Consegue perceber o quanto isso é estranho?

Quantas vezes ouvimos “Pera, rapidão. Só estou respondendo ciclano aqui”. Só que não para nesse ciclano, num instante sua atenção é desviada para outro que puxou uma conversa contigo, ou alguém que curtiu sua foto no instagram, e quando você percebe já não é mais um “rapidão”, você já esta horas ali.
Quantas vezes você já ouviu algo do tipo “Não vou atender/responder/abrir, só vou ver se é importante”. Mas, será que esse algo/alguém é tão importante que não pode esperar? E se é tão importante porque o interrompemos com olhadelas rápidas para o celular quando estamos com ele pessoalmente (como foi dito anteriormente?)

Na época do falecido MSN ainda existia o online/offiline, ainda existia um horário para entrar na internet e conversar com as pessoas. Porque antes, a internet era um lazer/atividade que tinha um horário definido como todas as outras atividades do seu cotidiano, como horário da escola, do estudo, de namorar (etc).
Hoje em dia fomos engolidos pela internet. Parafraseando o velho ditado popular hoje não é mais você e a internet, é a internet e você. Quando ela quiser – e olha que ela é muito exigente, e esse quiser é qualquer segundo do seu dia, entre qualquer pagina do seu livro – ela ira notificar e você irá atende-la.

Mas, como diria minha irmã (novamente) eu sou muito chata. Então, deixa eu ir aqui ver meus trilhões de notificações, que estão esperando para me devorar.


Um comentário:

PAULO TAMBURRO. disse...

Se você tentou seguir meus blogues e não conseguiu,desculpe, andei fora o ar.

Se tentar agora conseguirá.

Seu texto é a nossa realidade e muito bem desenvolvido.

Um abração carioca.